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sábado, 15 de abril de 2017

A destruição da Igreja, por fora e por dentro


Ainda que muitos não olhem para os ataques aos templos cristãos e aos próprios cristãos que vem ocorrendo pelo mundo, este fato apresenta um dos grandes objetivos para muitos nos tempos atuais: a destruição da Igreja. Ocorre que esta situação não vem ocorrendo apenas com atentados terroristas, mas também sem o uso de nenhuma força física.

Houve um tempo em que as igrejas eram o grande ponto de referência nas cidades, pois além de ser a construção mais alta na localidade, tinham o toque do sino que lembrava a todos que Deus estava ali perto, chamando, cuidando de cada um. Este mesmo badalar era também uma forma de lembrar a todos que alguém estava rezando por eles e ao mesmo tempo convida-los a vir rezar também. O dobrar do sino era a voz do Bom Pastor chamando suas ovelhas, tanto que o poeta inglês John Donne escreveu: E por isso não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti.

Hoje, com o passar do tempo, muitas igrejas já não são nem vistas, pois ficaram escondidas entre os grandes prédios, algo natural ao se ver a evolução da arquitetura e engenharia. O interessante é conseguir se fazer um paralelo entre este esconder (ainda que involuntário - ou não) os templos da vista de todos, com aqueles que tentam cada vez mais sumir o papel da religião na sociedade. A moda agora é assumir o discurso francês trazido por sua danosa revolução no sentido de que "religião é algo íntimo e pessoal, não deve influenciar a sociedade", em uma clara forma de restringir a religião a guetos, semelhante ao que os nazistas fizeram com os judeus.

Ainda, os mesmos sinos que muitas vezes já não são mais ouvidos diante de tanto barulho nas cidades, muitos tentam que sejam silenciados. Já aconteceu em Brasília, São Paulo, e tantas outras cidades no país e no mundo. Muitos não querem mais ouvir a voz do Bom Pastor chamando, ou até mesmo é uma forma de silenciar a Igreja, pois dizem que ela não se moderniza, não se adequa aos novos tempos, não muda seu discurso, não fala o que agrada aos ouvidos de uma sociedade cada vez mais egoísta, relativista e hedonista.

Esta é a Igreja sendo destruída por fora, seja com atentados terroristas ou atos menos explosivos e ao mesmo tempo impactantes. Os primeiros criam mártires, aqueles que morrem pela fé, os segundos vão minando a Igreja e até mesmo destruindo a fé de muitos.

Dentro de uma conceituação simples e rude, ter uma religião é crer na existência de um poder ou princípio superior, sobrenatural, do qual depende o destino do ser humano e ao qual se deve respeito e obediência. Religião é uma fé, uma devoção ao que é considerado sagrado, mas hoje muitos estão destruindo a Igreja Católica por dentro, deixando de lado o Sagrado.

A base do cristianismo é a ação de Deus junto ao homem, desde a sua criação até a sua morte, tanto em grupo quanto individualmente. A celebração da Missa traz todo o mistério desta obra divina, de Deus que se fez homem e veio resgatar a humanidade entregando-se à morte para a expiação dos pecados, para ao final mostrar seu poder na ressurreição. Revivemos em todas as Santas Missas o sacrifício de Deus por nós. Não é uma festa, não é apenas uma reunião para rezarmos juntos, é muito mais que isso. Ver tantos tratarem a celebração eucarística como algo banal, é a prova de que o Sagrado foi deixado de lado.

Quando vemos a CNBB defendendo usar as Missas para discurso político, se vê que o caminho que muitos pastores preferiram trilhar, esquecendo o que é importante na celebração. Quando se vê vários sacerdotes que tratam a liturgia como descartável, vemos o caminho que muitos resolveram trilhar, talvez com o incentivo de seus bispos. Quando observamos leigos fazendo o que querem nas paróquias ou capelas, com a autorização ou omissão dos párocos, pode-se chegar à conclusão de que temos um barco sem comando.

Papa Francisco
Papa Francisco insiste que a Igreja não é e nem pode se tornar uma ONG, mas parece que muita gente está fazendo uma força contrária. Há uma forte religiosidade, mas não uma vivência religiosa, uma verdadeira crença no intangível e no Sagrado. A forma mais simples de se constatar isso é a forma como muitos vão comungar.

Não faço considerações sobre a pessoa ter confessado e etc., isso entre ela e Deus, no entanto, tantas pessoas entram nas filas para a comunhão como se estivessem na fila da padaria, recebe a Eucaristia nas mãos como se tivesse pegando o pão no balcão da padaria e só coloca na boca depois de virar as costas ao sacerdote ou ao Ministro (que deveria ser) Extraordinário (mas é cada vez mais ordinário) da Comunhão Eucarística. Cadê o zelo ao Sagrado? Cadê a veneração ao Cristo que verdadeiramente se faz presente na Eucaristia? (Recomendo a leitura deste meu texto - O esvaziamento da Igreja Católica)

Outro equívoco que vejo são os sacerdotes que acreditam que a assembleia que assiste a Missa sabe o que ali acontece e conhece os mistérios das celebrações. Um exemplo prático: durante as celebrações do Tríduo Pascal, pergunte-se aos que se fizerem presentes o que realmente acontece ali. Quantos saberão explicar o mistério de amor de Cristo ao dar vida? Aliás, por que ele teve que dar a vida? Por que ele é chamado de Cordeiro de Deus? Por que quando Cristo morreu o véu do templo rasgou-se de cima a baixo? A princípio são coisas que todos deveriam aprender na catequese ... a principio, mas aprenderam? Se ouviram nas aulas, entenderam?

Não se pode ficar na impressão de que as pessoas saibam, tem que se falar, e repetir, repetir, repetir, ..., até que saibam, entendam e vivam estes mistérios. Infelizmente muitos sacerdotes não falam, nem mesmo nas catequeses muitos não falam, e se espera que as pessoas saibam. Como se formar um povo santo se ele não conhece os principais mistérios divinos?

Nem vou falar de lixos como a teologia da libertação, que só gerou danos à Igreja, hoje me preocupo mais com a formação de fé que tem se dado.

Nós católicos não podemos mais nos omitir e pressupor que as pessoas saibam, temos que anunciar antes de tudo o querigma (o cerne da fé cristã) e depois disso formar o povo. Na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, temos isso bem claro:
165. Não se deve pensar que, na catequese, o querigma é deixado de lado em favor duma formação supostamente mais «sólida». Nada há de mais sólido, mais profundo, mais seguro, mais consistente e mais sábio que esse anúncio. Toda a formação cristã é, primariamente, o aprofundamento do querigma que se vai, cada vez mais e melhor, fazendo carne, que nunca deixa de iluminar a tarefa catequética, e permite compreender adequadamente o sentido de qualquer tema que se desenvolve na catequese. É o anúncio que dá resposta ao anseio de infinito que existe em todo o coração humano.
Precisamos resgatar a nossa missão como católicos. A Igreja precisa de renovação, e não é na doutrina ou tradição, mas no povo e em especial nos que tem a obrigação de conduzi-lo: o clero. Eu me preocupo com esses sacerdotes ruins e fracos, porque temos o risco de se tornarem bispos, depois cardeais, depois Papas. Precisamos trabalhar para diminuir cada vez mais este risco, ajudando a formar um povo novo.

Alguns anos atrás tínhamos menos gente com a visão correta e menos sacerdotes piedosos e fiéis à Igreja, o que mudou um pouco com o trabalho que alguns resolveram fazer. Precisamos de mais gente empenhada nesta missão, de mais gente pensando antes de tudo no resgate de sua fé para depois auxiliar os demais, senão poderemos ter cegos guiando cegos.

Papa Bento XVI
Papa emérito Bento XVI, em entrevista ao Jornal Avvenire, explica bem o crise que sofremos:
Se é verdade que os grandes missionários do século XVI ainda estavam convencidos de que aqueles que não eram batizados estavam perdidos para sempre, e isso explica o seu empenho missionário, na Igreja Católica depois do Concílio Vaticano II, tal convicção foi definitivamente abandonada. Disso derivou uma dupla e profunda crise. Por um lado, isso parece remover toda motivação a um futuro empenho missionário. Por que se deveria tentar convencer as pessoas a aceitarem a fé cristã quando elas podem se salvar mesmo sem ela? Mas para os cristãos também emergiu uma questão: tornou-se incerta e problemática a obrigatoriedade da fé e da sua forma de vida.
Não podemos deixar esta crise crescer, algo tem que se mudado imediatamente. Que comece por mim e por você, crescendo na fé, vivendo na fé e testemunhando a fé.
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Fica autorizada a reprodução integral deste post, desde que citada a fonte conforme texto a seguir:
BRANDALISE, André Luiz de Oliveira, A destruição da Igreja, por fora e por dentro, publicado em 15/04/17 no site “AlôBrandalise” - http://www.alobrandalise.com/2017/04/a-destruicao-da-igreja-por-fora-e-por.html

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Você sabia?


A origem da Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo remonta ao Século XIII. A Igreja Católica sentiu necessidade de realçar a presença real do "Cristo todo" no pão consagrado. A Festa de Corpus Christi foi instituída pelo Papa Urbano IV com a Bula ‘Transiturus’ de 11 de agosto de 1264, para ser celebrada na quinta-feira após a Festa da Santíssima Trindade, que acontece no domingo depois de Pentecostes.

Papa Urbano IV
O Papa Urbano IV foi o cônego Tiago Pantaleão de Troyes, arcediago do Cabido Diocesano de Liège na Bélgica, que recebeu o segredo das visões da freira agostiniana, Juliana de Mont Cornillon que teve visões de Cristo demonstrando desejo de que o mistério da Eucaristia fosse celebrado com destaque.

Por solicitação do Papa Urbano IV, que na época governava a igreja, os objetos milagrosos foram para Orviedo em grande procissão, sendo recebidos solenemente por sua santidade e levados para a Catedral de Santa Prisca. Esta foi a primeira procissão do Corporal Eucarístico. A 11 de agosto de 1264, o Papa lançou de Orviedo para o mundo católico através da bula Transiturus do Mundo o preceito de uma festa com extraordinária solenidade em honra do Corpo do Senhor.

A festa de Corpus Christi foi decretada em 1269.

O decreto de Urbano IV teve pouca repercussão, porque o Papa morreu em seguida. Mas se propagou por algumas igrejas, como na diocese de Colônia na Alemanha, onde Corpus Christi é celebrada desde antes de 1270. A procissão surgiu em Colônia e difundiu-se primeiro na Alemanha, depois na França e na Itália. Em Roma é encontrada desde 1350.

A Eucaristia é um dos sete sacramentos e foi instituído na Última Ceia, quando Jesus disse: ‘Este é o meu corpo…isto é o meu sangue… fazei isto em memória de mim’. Porque a Eucaristia foi celebrada pela 1ª vez na Quinta-Feira Santa, Corpus Christi se celebra sempre numa quinta-feira após o vinho sangue de Jesus Cristo, em toda Santa Missa, mesmo que esta transformação da matéria não seja visível.

Corpus Christi é celebrado 60 dias após a Páscoa podendo cair, assim, entre as datas de 21 de maio e 24 de junho.

Fonte: Wikipedia

OBS: desde o Século XIII se viu a necessidade desta celebração para reafirmar cada vez mais a fé dos católicos na presença real de Jesus Cristo na Sagrada Eucaristia. Uma das celebrações mais importantes e ricas da Igreja Católica. Você conhecia a sua história?

domingo, 8 de abril de 2012

Feliz Páscoa

RESURREXIT SICUT DIXIT, ALELUIA!!!


V.: Regina caeli, laetare! Alleluia!
R.: Quia quem meruisti portare! Alleluia!
V.: Resurrexit, sicut dixit! Alleluia!
R.: Ora pro nobis Deum! Alleluia!


V.: Rainha do céu, alegrai-vos! Aleluia!
R.: Porque quem merecestes trazer em vosso seio. Aleluia!
V. :Ressuscitou como disse! Aleluia!
R.: Rogai a Deus por nós! Aleluia!

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Uma experiência pessoal com a Cruz

No texto que escrevi nesta semana (Dicas para um digna vivência da Páscoa) eu escrevi:

(...) O mistério da Cruz é algo que o católico não pode esquecer nunca, e não é à toa que é o símbolo que melhor representa a fé Católica. Foi na Cruz que Cristo se entregou, se humilhou, comprovou o seu amor pelos homens. Quando na celebração da tarde deste dia se faz a adoração à Santa Cruz, não estamos venerando um pedaço de madeira, mas sim o instrumento pelo qual Deus manifestou seu imenso amor à humanidade, e reconhecemos Jesus Cristo como nosso Senhor e Deus. (...)

Pois é ... posso dizer que tive um prova real da manifestação do amor de Deus na celebração desta tarde. O mistério da Cruz cutucou ... não, deu um tapa na cara de um certo homem teimoso.

Para esta Semana Santa e Páscoa nos (eu e a Djane) decidimos viver com mais profundidade e silêncio, e a nossa paróquia ajuda muito nisso (não tem invencionices!!!). Mas chega a ser simplista demais, com as mesmas músicas de sempre, são sempre os MECEs que atuam, etc. ... este ano a coisa mudou um pouco.

Agora temos coroinhas fazendo o seu papel, MECE o deles, e a assembléia o dela. Quando chegamos fui dar uma olhada na lista de músicas para este dia, na esperança de ter algo novo (diga-se de passagem, uma determinada música) ... não estava lá.

Ok, não dá para ter tudo de uma vez. Mas o meu Deus é o Deus do impossível, é o Deus que se entregou em uma Cruz por amor a mim, e mostrou que tudo pode e faz.

A celebração estava indo muito bem e chega-se ao momento de adoração, toda a família levanta e segue em procissão. Começam tocando Ninguém te ama como eu, o que já era esperado pois era a primeira música da lista no folheto de cânticos.

Quando chego em frente à Cruz e me ajoelho, a música muda ... começo a chorar. Diante da Cruz, diante do Senhor crucificado, meu coração cantava e e meus ouvidos ouviam ... 

Beijo a Tua paixão que me liberta das minhas paixões
Beijo a Tua cruz que condena e esmaga o pecado em mim
Beijo Teus cravos, Tuas mãos que apaga o castigo do mal
Beijo Tua ferida que curou a ferida do meu coração
Eu Te beijo Senhor e a Tua paixão é o Meu Tudo!
És Meu Tudo, Jesus
Amado de minh`alma

Oh Belíssimo Esposo!
Mais belo que todos os homens!
Santo, santo és Tu!
Belíssimo Esposo!
Esconde-me em Teu lado aberto!
Em Tua chaga de Amor... de Amor!


Beijo a lança que abriu a fonte do Amor imortal, a
fonte do Amor sem fim
Que pagou o que eu não poderia pagar
Beijo o Teu lado aberto jorrando rios de vida e de paz
Fazendo brotar em mim
Um canto novo, um hino esponsal
Beijo Tuas vestes que esconderam minhas misérias
Vergonha não há
Me adornas com Amor!


Oh Belíssimo Esposo!
Mais belo que todos os homens!
Santo, santo és Tu!
Belíssimo Esposo!
Esconde-me em Teu lado aberto!
Em Tua chaga de amor, de amor!


Beijo os lençóis que envolveram o Teu corpo ferido de Amor
E cobriram meu coração
Revestiram-me de realeza
Beijo o Teu Santo Sepulcro
Testemunha da Ressurreição
Quero ressuscitar também
E encerrar-me dentro de Ti
Quero em Ti mergulhar
E então renascer na Tua chaga criadora
Descansar a minh`alma em Teu coração!


Oh Belíssimo Esposo!
Mais belo que todos os homens!
Santo, santo és Tu!
Belíssimo Esposo!
Esconde-me em Teu lado aberto!
Em Tua chaga de amor, de amor!


Esta era a música que eu procurava no início, e este foi o presente de Deus para mim e minha família naquele momento. O presente certo e inesperado, aquele que derruba o coração. Neste momento eu me senti como o discípulo amado ao pés da Cruz ... agora, ao escrever este texto, meus olhos se enchem de lágrimas.

Neste momento (mais uma vez) se confirmou o amor de Deus por mim e pela minha família. Mais uma vez confirmou que meu coração é Shalom (a música é da Comunidade Católica Shalom, minha vocação escolhida por Deus).

Se alguém não conhece a música, ou até mesmo se conhece, vale a pena ouvi-la:


Obrigado Belíssimo Esposo, louvado seja, glorificado seja.
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Fica autorizada a reprodução integral deste post, desde que citada a fonte conforme texto a seguir:
BRANDALISE, André Luiz de Oliveira, Uma experiência pessoal com a Cruz, publicado em 06/04/12 no blog “André Brandalise” - http://alobrandalise.blogspot.com.br/2012/04/uma-experiencia-pessoal-com-cruz.html

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Dicas para uma digna vivência da Páscoa


Pois é, para este FDS não teremos as dicas, pois afinal, este é um momento muito mais que especial em que se pede oração. Então vamos tratar da Semana Santa, e convido a todos para juntos entramos em Jerusalém.

Não pretendo aqui falar de forma aprofundada sobre a Semana Santa, sobre os aspectos teológicos e etc.. Tenho certeza que muitos outros já o fizeram (e com certeza o farão) de maneira muito melhor do que eu, mas quero trazer algumas breves informações sobre, e cada um dos dias que se seguem e qual a sua importância.

Ícone do Ressuscitado que passou pela Cruz
Durante este dias muito se ouvirá sobre o "Tríduo Pascal" ... mas "péraí", como assim tríduo?? A Semana Santa não envolve quinta, sexta, sábado e domingo??? Pois é jovem padawan, muito a descobrir tem você.

O Tríduo Pascal envolve os 3 (três) dias de preparação para a Páscoa. Importante destacar que a maior festa da cristandade não é o Natal, mas sim a Páscoa, pois é nela que celebramos o principal fundamento de nossa fé: a ressurreição de Cristo.

E, se Cristo não ressuscitou, vazia é a nossa pregação é vazia é também a vossa fé. Mas não! Cristo ressuscitou dos mortos, primícias dos que adormeceram.
(1Cor 15,12-14-.20)

Ainda, o Tríduo Pascal é uma celebração só, que se inicia na quinta-feira e encerra-se no sábado.

Feitos esses apontamentos, vou tentar falar sobre cada um dos dias até a Páscoa.


QUINTA-FEIRA SANTA

Neste momento alguém já levanta o braço e diz: esse é o dia que o padre vai lavar os pés do povo.

É ... isso também acontece. Mas é apenas mais um detalhe de toda uma celebração importantíssima para a história da Igreja Católica e de todo o cristianismo. Foi este o dia da última ceia antes da crucificação de Jesus, em que o próprio Cristo instituiu a Eucaristia e o Sacerdócio, em que o Cristo deixou para todos a sua presença material e espiritual, mesmo após sua ascensão aos céus.

Sobre o lava pés, infelizmente muitos o olham como apenas uma representação teatral, mas é algo muito maior que esse teatrinho que muitas paróquias fazem.


Este evento histórico marcou a insistência de Jesus em um dos assuntos mais importantes do seu ministério: o papel dos cristãos e da Igreja. O serviço. A humildade. O colocar-se abaixo, considerar uns aos outros superiores a si mesmo.

Quando vemos o Sacerdote, o Bispo ou o Papa colocando-se a lavar os pés de alguém, ele está se colocando como servo, seguindo o que Cristo determinou (Jo 13, 4-17).

Só que a celebração da quinta-feira santa não é "apenas" isso. Após a comunhão o Santíssimo Sacramento será transladado para um local em que será realizada a adoração em forma de vigília, pois esta é uma noite de profunda oração. O altar da igreja deve ser desnudado e as imagens devem ser cobertas (inclusive em casa), pois este é o momento que o Cristo foi retirado de nosso meio.

Vejam que a Missa não acaba, pois a partir de agora os cristãos se colocam em oração pelo Cristo que foi preso e retirado do meio dos seus. A partir de agora se silencia o coração.


SEXTA-FEIRA SANTA

Este é um dia atípico, pois temos celebração, mas não Missa. É o único dia do ano que não temos Missa.

Este é o dia de jejum e oração por excelência, pois este é o dia em que se recorda a morte do Senhor. É o dia em que Jesus foi humilhado pelos nossos pecados, sofreu as nossas dores no corpo e na alma.

Recomenda-se que antes da celebração no meio da tarde se faça uma reflexão sobre os motivos de Cristo ter aceitado este fardo, se aprofundar neste mistério, até porque apenas ir para a igreja na hora da celebração é pouco.

Recomendo que vejam o filme A Paixão de Cristo, dirigido por Mel Gibson. Com certeza um dos melhores no gênero e que reflete bem os últimos momentos de Cristo até a crucificação.

O mistério da Cruz é algo que o católico não pode esquecer nunca, e não é à toa que é o símbolo que melhor representa a fé Católica. Foi na Cruz que Cristo se entregou, se humilhou, comprovou o seu amor pelos homens. Quando na celebração da tarde deste dia se faz a adoração à Santa Cruz, não estamos venerando um pedaço de madeira, mas sim o instrumento pelo qual Deus manifestou seu imenso amor à humanidade, e reconhecemos Jesus Cristo como nosso Senhor e Deus.

Nós pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os pagãos; mas, para os eleitos - quer judeus quer gregos - força de Deus e sabedoria de Deus.
(1Cor 1, 23-24)

Mesmo após a celebração devemos nos manter em estado de oração e silêncio.

SÁBADO

Jesus foi crucificado, morreu e foi sepultado. Este é o dia da espera, a espera da ressurreição. Mas neste dia temos um grande acontecimento espiritual: a descida de Cristo aos infernos para resgate dos prisioneiros, como Adão e Eva, Rei Davi, João Batista e todos os profetas do Antigo Testamento.

É aqui que se inicia a vitória de Cristo. Sei que muitos vão dizer "é lenda" ... quer saber, é aqui que se separa os homens das crianças em questão de fé. É muito fácil acreditar apenas no que se vê, no que se toca, mas em termos de fé, a maturidade espiritual nos leva a crer no invisível e intangível. Nos leva crer no poder de Deus, na sua ação constante, na sua vitória contra o pecado (tudo aquilo que nos separa de Deus).


A certeza da descida de Cristo aos infernos e resgate dos cativos é importantíssimo para a compreensão da fé cristã. Significa que perante Cristo não há limite temporal, e sua morte e ressurreição atingiu a todos os homens, independentemente de sua época.

Á noite temos uma das mais belas celebrações da liturgia: A Vigília Pascal. Infelizmente algumas paróquias cuidam desta celebração como se fosse um teatro, mas quando podemos nos aprofundar com o coração aberto em cada leitura, em cada salmo, em cada oração, vemos a ação de Deus desde a criação do mundo até o momento da ressurreição.

É nesta vigília que poderemos entoar o Exultet e o Glória. É quando poderemos dizer ... não, poderemos gritar ao mundo CRISTO RESSUSCITOU, ALELUIA!!!

PÁSCOA

Não, este não é o dia do coelhinho entregar os chocolates. Este é o dia mais importante para o católico, é o dia em que Cristo venceu plenamente a morte e nos resgatou para uma nova vida.

Tenho certeza que se você se deixar levar pelas celebrações, terá uma nova experiência nesta Páscoa. Tente viver de verdade, e não apenas se fazer presente.

E sim, a Missa neste dia também é obrigatória, assim como todas as celebrações citadas acima.

Agora, quer começar bem??? Antes de tudo, antes da celebração da quinta-feira, procure se confessar. Tente mesmo. Se você quer ter uma experiência nova e diferente, procure pelo meio mais correto: pedir perdão a Deus pelos seus pecado, reconciliar-se com Ele.

Sei que poderia ser escrito muito mais coisas sobre o assunto, mas a intenção aqui é apenas dar uma provocada para que tentem viver de forma melhor este período. Depois de tudo isso, é provável que você seja uma nova pessoa.

Uma ótima Semana Santa a todos e uma Feliz Páscoa!
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Fica autorizada a reprodução integral deste post, desde que citada a fonte conforme texto a seguir:
BRANDALISE, André Luiz de Oliveira, Dicas para um digna vivência da Páscoa, publicado em 04/04/12 no blog “André Brandalise” - alobrandalise.blogspot.com/2012/04/dicas-para-uma-digna-vivencia-da-pascoa.html
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