quinta-feira, 2 de maio de 2013

Os que pensam como o Padre Beto


Recentemente o Papa Francisco usou as palavras da imagem acima e parece que não surtiu nenhum efeito prático (ou resolveram não vestir a carapuça), pois ainda temos muitas pessoas que querem e defendem uma Igreja Católica nova e adequada aos tempos modernos (ou seria às suas vontades?). No final das contas, por que estão erradas essas pessoas?

Como todo católico que se preze, inicialmente fiquei indignado com todo o alvoroço criado pelo então Padre Beto, que com suas "revolucionárias" ideias defende uma nova Igreja Católica, reformada e moldada conforme aquilo que ele acha que deve mudar. A indignação se deu por se tratar de um sacerdote defendendo estas coisas, mas não pelas ideias em si, pois não são nenhuma novidade. No entanto, o mais assustador foi o imenso número de pessoas que passaram a defender o Padre Beto como se ele estivesse certíssimo.

Muitas (mas muitas mesmo) pessoas mandaram mensagens apoiando o padre moderninho e progressista, dizendo que "a Igreja tem que mudar mesmo", "os tempos mudaram e a Igreja tem que se renovar", e etc., etc., etc. ... infelizmente essas pessoas não tem a mínima noção da Igreja, a mínima. Cheguei a ver pessoas reclamando que a Igreja deve mudar seu modo de pensar porque o mundo mudou, e não deve mais se ater a documentos antigos e cartas de séculos atrás.

O que isso indica? Tudo isso nos mostra que as pessoas estão buscando na Igreja Católica algo que na cabeça deles deveria ser a Igreja Católica. Ou seja, não entenderam nada sobre a Igreja e nem sobre o cristianismo, e posso dizer que nem mesmo sobre religião.

Uma instituição religiosa tem como característica ser fundamentada em preceitos sólidos, diria até imutáveis. É isso o que verdadeiramente atrai as pessoas: a certeza do que vai encontrar lá. Não é um clube, uma ONG, uma associação ou um partido político, que a qualquer momento pode mudar de interesses e objetivos.

Esse negócio de querer que uma instituição religiosa de quase 2 mil anos mude é uma imensa besteira, é jogar fora todo o seu tempo de existência e luta para formar seu magistério diante de tantos que lutaram contra.

Cito novamente palavras do Papa Francisco:
(...) E então se vê que a Igreja começa lá, no coração do Pai, que teve esta ideia … não sei se trata propriamente de uma ideia: o Pai teve amor. E começou esta história de amor, esta história de amor tão longa no tempo e que ainda hoje não acabou. Nós, mulheres e homens de Igreja, estamos em meio a uma história de amor: cada um de nós é um anel nesta cadeia de amor. E se não entendemos isso, não entendemos nada do que seja a Igreja. (...)
São pessoas que não conhecem nada do que seja a Igreja, não sabem como se deu esta história de amor, e da Bíblia sabem apenas o que lhe é agradável aos olhos e ouvidos. Nunca se interessaram por conhecer o magistério da Igreja, conhecendo dos santos apenas as palavras doces. Evitam tudo que seja desconfortável para elas. São pessoas que não estão buscando Deus na Igreja Católica, mas sim estão buscando um deus conforme suas ideias e querem que a Igreja Católica seja compatível com o que buscam.

Desprezar todo o magistério da Igreja é jogar no lixo Santo Agostinho, Santa Teresa de Ávila, Santa Terezinha, São Francisco de Assis, Santo Atanásio, São Josemaria Escrivá, a vida do Papa João Paulo II, etc.. 

C.S. Lewis, o autor do livro As Crônicas de Nárnia, tem uma frase interessantíssima:
"Se você está à procura de uma religião que o deixe confortável, definitivamente eu não lhe aconselharia o cristianismo."
Infelizmente ainda temos pessoas que não entenderam isso, que acham que o cristianismo é a religião mais fácil e que a Igreja Católica é a mais liberal de todas.

Em uma conversa com um amigo padre, ele me disse o seguinte: Pois onde está o puro Evangelho é na nossa Igreja e ela evangelizará quanto mais for verdadeiramente Católica, beber nas fontes genuínas de sua tradição e transmitir com clareza e pureza o Evangelho sem protestantizá-lo.

Ele está certo. Hoje é inadmissível que alguém queria ser católico e ao mesmo tempo fique protestando contra a Igreja Católica, como se a Igreja fosse um condomínio em que se eu ficar gritando vou mudar tudo. Não há na Igreja esta "democracia", pois se trata de uma instituição religiosa com preceitos bem definidos. Se não gosta, a porta é a serventia da casa - beijo, outro, tchau!!!

Realmente incomoda ver pessoas que se dizem católicos, atuantes em suas paróquias e movimentos, mas que insistem em defender ou agir contra os preceitos da Igreja apenas porque acham que estão errados. Oras, os incomodados que se retirem - beijo, outro, tchau!!!

Infelizmente isso ocorre devido a omissão (ou até mesmo permissão, senão incentivo) de alguns sacerdotes e bispos. Se algo do estilo (católicos-protestantes atuantes e gritantes) começa a aparecer em uma paróquia, cabe aos sacerdotes locais apascentar suas ovelhas. Chama para conversar, explica onde está o erro, e pede que mudem sua atitude. O mesmo vale para os bispos que tem o dever de fazer o mesmo, inclusive com os sacerdotes (como ocorreu na Diocese de Bauru). Sim, existem aqueles que fazem este trabalho bem feito, mas realmente muitos não o fazem com medo de perder "fiéis" (embora quem seja fiel não se perde).

Está mais do que na hora de que as pessoas decidam ser católicos ADERINDO à Igreja Católica, ouvindo as palavras dos Papas, conhecendo o magistério e parar de ser protestante. Não é só repetir o que é belo e doce, mas é aderir a tudo.

Já chega de católicos que adoram relativizar as coisas para fazerem o que acham correto. Chega de de católicos (leigos, sacerdotes, bispos) que ficam anunciando um Evangelho e frases de auto-ajuda. Chega de banalizar o que é sagrado. Quer ser católico? Pense bem antes de responder, pois tudo aquilo que os três últimos papas (isso para ficar nos mais recentes) disseram demonstra o que é ser católico. Se teve algo que você não concordou, saia da Igreja - beijo, outro, tchau!!!

Chega de ser incoerente. Seja verdadeiro consigo e com Deus, e diga: até queria ser católico, mas desse jeito eu não quero - e para você é beijo, outro, tchau!!! 

Ou então, assuma de vez ser católico e diga: Senhor, sei que não está sendo fácil para mim, mas eu desejo, eu quero e SEREI católico.
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Fica autorizada a reprodução integral deste post, desde que citada a fonte conforme texto a seguir:
BRANDALISE, André Luiz de Oliveira, Os que pensam como o Padre Beto, publicado em 02/05/13 no blog “André Brandalise” - http://alobrandalise.blogspot.com/2013/05/os-que-pensam-como-o-padre-beto.html

3 comentários:

  1. Pe. Leonardo H. A. Wagner3 de maio de 2013 19:31

    É isso aí! O que nos falta é um verdadeiro catecumenato, uma iniciação cristã onde as pessoas só recebam os sacramentos após terem sua fé provada e comprovada.

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  2. Pe. Leonardo H. A. Wagner3 de maio de 2013 19:39

    Se eu faço um contrato eu assino que faço adesão a todas as cláusulas. As cláusulas que me dão direito à pertença à sociedade espiritual chamada Igreja Católica são a aceitação de TODOS os pontos da fé católica e do Evangelho tal como nos ensina e tramite corretamente a Igreja na sua integridade. Só assim posso fazer os ritos de introdução: batismo, crisma e Eucaristia. A quebra das do cumprimento das obrigações significa que eu rompo o acordo e me excluo da sociedade.

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  3. Como eu te disse antes, com ISSO eu concordo: se uma pessoa discorda de como é a IC (ou qualquer outra religião) então deve por livre e espontânea vontade sair dela ou nem entrar. É, inclusive, este meu próprio caso.

    É como aquela galera que entra na PUC e depois reclama das regras impostas pelos padres. Poxa, o "C" de Católica não é só figurativo. A PUC é Católica MESMO, e não apenas mais uma excelente faculdade particular. Motivo pelo qual eu nunca prestei, nem prestaria vestibular lá.

    Meus pais, que não são religiosos, por pressão familiar na época, se casaram na católica e tbm me batizaram nela 4 anos depois. Sinceramente acho errado, pois o padre sempre pede que o casal jure seguir as leis da Igreja e criar seus filhos dentro da IC. Não dá pra jurar em vão só pra agradar alguém. Motivo pelo qual, SE eu casar, jamais farei isso dentro de qualquer templo religioso. Posso até fazer uma cerimônia simbólica, mas sem sacerdotes já que não creio em nenhuma religião específica que certamente irá me exigir algo que não poderei cumprir.

    O tal padre Beto disse que tem graduação e doutorado em teologia. Ora, nada impede que ele continue sendo sacerdote em outra religião que aceite suas ideias e até mesmo que funde uma para disseminar suas ideias. Acho até melhor mesmo... pq o que tem de "pastor" por aí sem estudo e sem conhecimento até da própria Bíblia, só interessado em se aproveitar do povo...

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